Você já desistiu? Já desistiu de algo que você queria muito, muito mesmo, mas nem tanto? Como por exemplo: De tanto ver filmes policiais quando criança, você queria ser policial, para ajudar todo mundo e prender os malvados. Ou algo do tipo. E desistiu ao ter noção do que é ser um policial na vida real? Bom, eu já. Já desisti de tentar ser tanta coisa nessa vida; policial, político, artista, magro... Enfim, este não é o assunto que quero abordar, e sim de algo diretamente ligado a tal ato de não mais possuir a pretensão de ser ou ter algo, diante dos mais variados motivos, ou pela preguiça mesmo.
Nós, humanos, existimos há alguns milhares de anos, certo? E se hoje há aproximadamente seis bilhões de nossa espécie, considerando – supondo – o ritmo em que a população cresceu nestes últimos séculos podemos dizer existiram aproximadamente uns oito bilhões? Direto ao ponto, desde os tempos dos quais se tem registros, qual o percentual, do total de nossa população que existiu e ainda existe, refere àqueles poucos que se destacaram pela intenção de ajudar os necessitados? Reformulando, qual seria a porcentagem dos que fizeram algo em razão de ajudar os muitos pobres, doentes, famintos, desabrigados e demais desprovidos? Atrevo-me a dizer que não seria algo próximo de 0, 0000001%, facilmente seria menos, é só lançar essa quantidade aleatória de zeros que coloquei aí na quantia supra especulada. (Maldito, pare de enrolar, qual o seu ponto?!) Realmente, depois de muito “enrolar”, devo, esclarecer, se há, e qual há de ser, meu ponto com esse texto.
Meu ponto é simples, e juro que irei relacionar o primeiro parágrafo ao segundo. O que têm em comum, Guevara, Gandhi e Lula? – desculpem-me tal comparação – Eles não desistiram daquilo a que almejavam. E o que isso prova? Que eles são melhores que aqueles que desistem, nós, meros mortais, medíocres? Ou que nós que somos piores que eles, ícones, deuses? Opa, não dá na mesma, eles serem melhores e nós sermos piores? É assim que funciona? Você é ou não é? Quer dizer que eu tenho que ser bom? Se eu “tenho” que ser, já não é tão bom é? Ah, se todos fossem atrás de seus sonhos, suas convicções ninguém iria se destacar, e se for para eu não ser notado, prefiro não fazer nada, é menos cansativo. E a quem é atribuído tal poder de dizer que alguém é melhor e alguém é pior? Aaah, que discussão besta! Será?
Já vimos na TV, e em centenas de filmes, exemplos de vida, exemplos de dedicação, pessoas reais e personagens que através de dedicação e perseverança alcançaram o inalcançável. Falo por mim mesmo – até porque não haveria de falar por mais alguém – quando digo que em “quase todas” estas histórias e estórias, os vitoriosos não tinham uma alternativa, “quase sempre” é a única opção, esta de ater-se ao objetivo e nunca desistir. E o que é que falta aos demais, nós, meros mortais? Será que é suficiente responder que as pessoas que desistem, apenas o fazem por preguiça, por terem uma alternativa, mesmo que medíocre, por nos conformarmos que de fato mais vale um pássaro na mão do que dois voando?
Eu curso Direito na Faculdade Marista do Recife, estou indo agora ao quinto período, mas quando eu ainda sonhava em entrar na faculdade, ou ainda no começo do curso, quando eu ainda estudava “naquela” Unicap (Universidade Católica de Pernambuco), eu sonhava em fazer justiça. Hahaha, pergunte a qualquer estudante, bacharel, advogado, promotor, juiz, delegado, desembargador, etc. Pergunte a qualquer desses, se a justiça em nosso país funciona da forma que deveria, após a negativa, pergunte quando ele tomou conhecimento de tal fato, e ele dirá o que direi agora: logo no primeiro semestre da faculdade. Então, porque prosseguimos no curso? Pretendíamos nós, meros cordeiros, devorar os leões, dar um golpe de estado, domesticar aqueles animais que legislam e julgam equivocada e estupidamente, salvar a pátria e promover justiça para todos?! Basta assistir a nossa maravilhosa e divertida televisão brasileira que terás a resposta.
Não bolei nenhuma conclusão genial para este texto repleto de conclusões pessimistas, nenhuma virada de mesa que conforte quem quer leia este texto – ou a mim mesmo – nem nenhuma fórmula secreta para ser feliz e conformado ao mesmo tempo, mas se alguém souber me avise! É, a vida não é um conto de fadas, pense bem, se todo mundo fosse bonito, na verdade ninguém o seria, pois o inimigo do bom é o melhor, e sem segundo não há primeiro. Eu desisto de muitas coisas todos os dias, e não me diria o único com tal atitude, embora eu não consiga encontrar a resposta do mistério que diferem as pessoas “normais” daquelas que alcançam seus sonhos, diria que precisamos destes poucos e determinados indivíduos, nem que seja para nos inspirar, para nos dar esperança, para nos fazer perceber, que se é difícil salvar o mundo, podemos pelo menos salvar uma vida. E salvar uma vida já é muito!
"Existem dois tipos: Os que pensam, e os que acreditam"
Autor desconhecido
Autor desconhecido
Excelente querido Heitor!!!
ResponderExcluirMuito bem posto e oportuno.
Continue assim.
REALIZE!!!