segunda-feira, 14 de março de 2011

Completamente deslocado

Bom, não houve postagem semana passada devido ao carnaval, – obviamente - e já aproveito a deixa para puxar o assunto. É evidente que os valores morais; a razoabilidade; o quase extinto senso comum e por último, mas não menos importante; a sanidade mental, durante o carnaval, ficam num estado de profunda dormência, (como nossos lábios após a anestesia do dentista: nós não sentimos dor, mas sentimos que há algo ali, e nos colocamos a machucá-los continuadamente), sendo que no caso em questão, a "anestesia" por muitas vezes, é fingida. Em poucas palavras, na semana passada, pode-se dizer seguramente, que uma parcela bastante insignificante da população humana presente nas festividades carnavalescas mantiveram intactas sua dignidade, sua educação e seu caráter.
Mas é incrivelmente clichê, e chatíssimo – diga-se de passagem – esses indivíduos, pseudo-intelectuais, que vêm ridicularizar o auge de nossa forte e bela cultura, a nossa felicidade embriagada, o grandioso CARNAVAL. No mínimo é um “donzelo que não pegou ninguém”, alguns diriam, mas o problema é muito maior que “zerar”. Vai além do “galo”, vai além do “povão, vai além da sexualidade aguçada dos tarados de carteirinha, o problema está dentro da “classe” – basta isso, ao ponto que os baixíssimos nem dentro de classe alguma estão – o problema está entre vossos filhos, irmãos e irmãs aparentemente tão bem-educados, cultos, dignos e respeitosos, "a elite".
"Mau recifense" que sou não estava num habitat familiar quando estive lá em Olinda nesta terça-feira de carnaval, no alto das ladeiras de nossa capital cultural, na verdade me sentia completamente deslocado. E foi quando constatei a gravidade da situação, espantei-me bastante ao presenciar a “caça” às mulheres; meus semelhantes, homo-sapiens-sapiens (é duas vezes mesmo) que julgava serem desenvolvidos, estavam realmente retrocedidos aos costumes de nossos antepassados mais antigos, exatamente aqueles que “catavam” as mulheres pelos cabelos, na verdade a única diferença é que os pintores de cavernas não imploravam por um “selinho”. Em meio a meu espanto, (que não foi muito visível na hora, pois eu estava mais interessado em conquistar alguma moça bonita e me firmar como um grande hipócrita), reclamei com um amigo meu que me respondeu o seguinte: - Elas todas vêm para cá preparadas para isso, se não gostassem não vinham!
O meu pensamento foi mais ou menos parecido com o de Martin Luther King quando o mesmo disse “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas sim o silêncio dos bons.” Fiquei indignado, honestamente não conseguiria compreender como as recifences, conhecidíssimas por serem muito difíceis estavam naquela situação de total ausência de respeito-próprio. Mas, enfim, deixemos que todos sejam felizes, pois com nosso país no estado que está, é admirável que haja tanta “felicidade”, sobra apenas muito receio, pois acredito que um dia terei uma filha e já tenho duas sobrinhas, que por falar nelas, uma já insiste em afirmar ser adolescente, no auge de seus 10 anos.

           E para finalizar, vamos citar o verdadeiro e genuíno brasileiro ao dizer que apenas agora, no 72º dia do ano, é que o ano realmente começa. Apenas agora é que as entidades públicas iniciam suas atividades efetivamente, é agora que paramos de nos preocupar “apenas” com o quão redondo irá descer a cerveja, e preocuparemos-nos também em conquistar o dinheiro da cerveja! E no fim de março, com salários em mãos, comemoremos que já já chega a “semana santa”, depois o são joão, e por aí vai. Não me levem a mal, eu adoro uma cervejinha, e trabalho por precisar e não por gostar, na verdade ainda é um estágio, quatro horinhas por dia e mesmo assim já espero a sexta-feira seguinte quando vou dormir no domingo. Sou um típico brasileiro preguiçoso, mas quando entra o fim de semana, eu só deixo de cumprir algumas obrigações, meus valores e meu caráter continuam intactos!
"Assim que você confiar em você mesmo saberá como viver"
(Goethe)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

1987

           A postagem da próxima semana tá tão boa que chegou adiantada, o texto não é meu mas é perfeito, e como o título da postagem já sugere, o texto fala sobre a polêmica acerca do campeonato brasileiro de futebol de 1987. Vale avisar que o texto foi escrito em 2008, logo não há menção sobre a atual palhaçada que infelizmente vê-se em todos canais da maldita televisão brasileira, e também, como o Flamengo sagrou-se verdadeiramente penta-campeão apenas em 2009, não há menção a tal fato, então o rubro-negro carioca ainda consta como tetra-campeão no seguinte texto.

           Talvez numa tentativa de sair da obscuridade e também faturar algum dinheiro, um jornalista carioca, notório torcedor do Flamengo-RJ, que às vezes escreve para o Jornal Lance (RJ), Roberto Assaf, anunciou que publicará pela Editora Lance um livro que pretende contar a história do Brasileirão. Nomes de atletas, fotos, estatísticas e, como não poderia deixar de ser, já que ele é flamenguista e carioca, referindo-se ao Flamengo como "penta" brasileiro junto com o São Paulo.

           O bom jornalismo deve ser pautado pela imparcialidade, ou pelo menos tentar ao máximo. O bom jornalismo deve apenas informar, publicar fatos. Mas, infelizmente isto não acontece quando mistura-se jornalismo com paixão ou provincianismo, como parece ser o caso do jornalista do Lance.

           Então, a bem da verdade, o
CAMPEÕES DO FUTEBOL resolve fazer uma síntese do que aconteceu em 1987, numa tentativa de melhor informar, principalmente aos torcedores mais jovens, já que se passaram 21 anos, desde então.
 
"A VERDADE SOBRE 1987

           Até 1986, o Campeonato Brasileiro era disputado por 40 clubes, no mínimo (em alguns anos teve até mais, exemplo: 1979 - 90 clubes). De fato, com o passar do tempo tornou-se um modelo inviável e deficitário, principalmente para os maiores clubes do Brasil.

           Em 1987 os maiores clubes do Brasil resolveram se unir e realizar um campeonato menor e mais rentável, querendo então jogar somente entre eles e mais alguns outros clubes convidados. Para isso criaram o Clube dos 13 (*) e resolveram convidar mais o Coritiba-PR, o Goiás-GO e o Santa Cruz-PE, totalizando um número de 16 clubes (nos moldes do Campeonato Italiano), para disputar um Campeonato Brasileiro mais enxuto. Talvez aí tenha sido o erro, pois tentaram copiar o número de clubes do certame Italiano, o que ficou comprovado ser pouco para a realidade futebolística brasileira.

           Acontece que a CBF não concordou, porque haviam outros clubes que no ano anterior tinham conquistado, em campo, o direito de disputar o Brasileiro da 1ª Divisão, entre eles o Guarani-SP, vice-campeão em 1986, o Sport-PE, o Atlético-PR, América-RJ (4° colocado em 1986), Portuguesa (13°), o Vitória-BA, o Náutico-PE, entre outros. A solução para a CBF viabilizar o Brasileiro de 87, atendendo aos interesses do Clube dos 13 e aos demais clubes, veio na forma de um regulamento inusitado: 4 módulos, sendo que 2 módulos (ou chaves) corresponderiam à 1ª Divisão: Módulo Verde e Módulo Amarelo; e outros 2 módulos (ou chaves) corresponderiam à 2ª Divisão: Módulo Azul e Módulo Branco.

           Com relação ao que seria a 1ª Divisão, a CBF estipulou que os dois primeiros colocados de cada um dos módulos Verde e Amarelo, ao final das suas respectivas chaves, disputariam um quadrangular para decidir o título do Brasileiro de 1987. No Módulo Verde deu Flamengo (1°) e Internacional (2°), no Amarelo o Sport e o Guarani terminaram empatados na decisão por pênaltis, e o Sport, por ter melhor campanha, foi declarado vencedor da Chave Amarela. A partir daí, como previsto anteriormente no regulamento da CBF, deveria haver o cruzamento dos módulos (semelhante ao que aconteceu em 2000 - Copa João Havelange). Acontece que o Flamengo e o Internacional, tentando se amparar no Clube dos 13, recusaram-se a jogar contra o Sport e o Guarani e se auto-proclamaram campeão e vice-campeão da chamada "Copa União". Havia, como há ainda hoje, a alegação que não jogariam contra times da 2ª Divisão (?!?). Neste caso a alegação é descabida, visto que no Campeonato Brasileiro de 1986, ano anterior, o Guarani foi o vice-campeão (2° colocado), e como poderia ter caído para uma suposta segunda divisão em 1987?. Por qual critério?
           Depois disso, para cumprir o regulamento, a CBF marcou as partidas finais, as quais o Flamengo e o Internacional não compareceram e, conseqüentemente, perderam por W. O. Prosseguindo a competição, a CBF marcou as partidas finais entre Sport e Guarani: resultados de 1 X 1 em Campinas e depois SPORT 1 X 0 em Recife, e o Sport foi o legítimo Campeão Brasileiro de 1987, recebendo a Taça da CBF, tendo em 1988 juntamente com o Guarani (o vice-campeão brasileiro), disputado a Taça Libertadores da América.

           Na verdade o Flamengo e o Inter em 1987, ao recusarem-se a jogar um quadrangular contra o Sport e o Guarani jogaram fora a chance de um deles ser o legítimo Campeão Brasileiro de 1987. Isso não aconteceu com o Vasco em 2000, ao decidir a Copa João Havelange com o São Caetano, que naquele ano (2000) disputou na 1ª fase contra outras equipes, que não às da chave principal, onde estavam os grandes clubes do Brasil, inclusive o Sport que terminou a 1ª fase em 2° lugar, e nem por isso foi o vice-campeão da João Havelange. O que aconteceu em 1987 (Copa UNIÃO) foi semelhante ao que aconteceu em 2000 (Copa JOÃO HAVELANGE).

           Após o SPORT ser campeão, já em 1988, o Flamengo (apoiado pela Rede Globo) inconformado por ver o SPORT na Libertadores, pressionou a CBF de todo jeito, entrou na justiça e perdeu em todas as instâncias (mais uma prova de que estava errado), até que foi ameaçado de punição pela CBF e pela FIFA. A verdade é que o Flamengo tentou na justiça evitar o título do Sport, mas o clube pernambucano para se defender na esfera judicial federal, pediu e obteve o julgamento do mérito - "trânsito em julgado", sobre a questão do título de Campeão Brasileiro de 1987. Desta forma então, o título de 1987 é o único que não pode ser contestado e nem mudado, por ter sido alvo de decisão judicial, favorável ao clube pernambucano.
           A própria CBF não entra nessa polêmica, porém em seu site oficial (www.cbf.com.br), na relação dos Campeões Brasileiros Série A, consta como campeão o Sport de Recife, e não o Flamengo, logo, para a CBF não há discussão nem dúvidas sobre essa questão.

Para esclarecer mais ainda a questão, caberiam algumas perguntas:


1ª) se o Flamengo foi o campeão de 1987, por que ele não recebeu a Taça da CBF (a das bolinhas) após o jogo contra o Inter-RS, na final do Módulo Verde?

2ª) Se o Flamengo foi o campeão de 1987, por que ele não disputou a Taça Libertadores da América em 1988?

3ª) Se o Flamengo foi o campeão de 1987, por que ao vencer o Brasileiro de 1992 ele não recebeu a Taça das Bolinhas em definitivo (seria para o primeiro clube que conquistasse 5 títulos)?

4ª) Se o Flamengo foi o campeão de 1987, por que no site da CBF (www.cbf.com.br) consta o SPORT como campeão?

5ª) Se o Flamengo foi o campeão de 1987, por que no site da FIFA consta que o Flamengo tem 4 títulos brasileiros e não 5? (sobre essa questão, é só conferir no link » da Fifa, o quadro referente aos troféus (títulos do Flamengo), está em inglês, mas está lá: Trophies: 4 Brazilian Championships (traduzindo: 4 Campeonatos Brasileiros).

           Não restam dúvidas de que o Flamengo é um grande clube do Brasil, de que possui vários títulos em sua galeria de troféus, conta com a maior torcida do país e tem uma trajetória de títulos muito superior ao Sport. Sobre isto não há dúvidas. Porém, se formos analisar com seriedade os fatos que aconteceram em 1987, apesar de toda a polêmica que ocorreu na época, também não há margem para dúvidas sobre quem foi o campeão Brasileiro de 1987: o SPORT! Pois contra fatos não há argumentos!"
           O seguinte texto é de autoria de Roberto Assaf - como já dito acima -, e foi retirado do site "Campeões do Futebol", sendo conteúdo da postagem de Evenildo Ribeiro Silvério.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Grunge, o ouro dos anos 90!

Para começar, irei falar sobre música, mais especificamente sobre o Grunge. Tendo como maiores influências o punk rock, o heavy metal e o indie rock, o grunge é um subgênero do rock que surgiu na cidade de Seattle em meios dos anos 80 embora o mesmo só ganhou maior destaque e publicidade com o lançamento de dois importantes álbuns, o Ten da Pearl Jam e o Nevermind da banda Nirvana, tendo sido respectivamente lançados em 1990 e 1991. Tais bandas são indubitavelmente as maiores do gênero, mas não seria justo deixar de citar Alice In Chains e Soundgarden, que diga-se de passagem, duas bandas fodas!

           Ainda discute-se qual seria a maior banda do Grunge, Nirvana ou Pearl Jam, mas se isso não interessaria aos próprios vocalistas/líderes de tais bandas, então por que interessaria aos fãs dos mesmos? Ambos Kurt Cobain (Nirvana) e Eddie Vedder (Pearl Jam) nunca demonstraram ter dinheiro e fama como objetivos, e apenas como conseqüências, na verdade pregavam o contrário, causavam muita polêmica com a atitude anticomercial, inclusive Pearl Jam cometeu um grande boicote à empresa de vendas de ingressos para shows Ticketmaster. Muitas bandas de Grunge se sentiram tão desconfortáveis com a popularidade que sumiram, e até o hoje o gênero influencia o rock moderno, havendo até um subgênero chamado Post-Grunge (pós-grunge). O grunge reciclou o cenário musical da época, embora grandes bandas mantinham o hard rock no auge, no geral não havia muita originalidade ou atitude presentes no período. É certo que já associa-se rebeldia ao rock, mas foi no grunge que começou-se a abordar assuntos importantes e cotidianos da vida dos jovens como a pressão da sociedade e dos pais em cima dos jovens, as drogas e até o bullying, e isso sem deixar de fazer um som de qualidade, regado a valores morais e às melhores influências musicais possíveis.
Infelizmente, em 8 de abril de 1994, Cobain foi encontrado morto em sua casa em Seattle, vítima do que foi oficialmente considerado um suicídio por um tiro de espingarda na cabeça. As circunstâncias de sua morte, por vezes, tornam-se um tema de fascínio, conspirações e debate.
Diferentemente de Kurt, Eddie Vedder ainda está vivo e muito bem, segue com Pearl Jam e durante um “descanso” da banda ele lançou sua carreira solo, sendo responsável pela trilha sonora do filme Na natureza selvagem (Into the wild) lançado em 2007 e estrelado por Emile Hirsch.

            Layne Staley, vocalista de Alice In Chains, faleceu em 2002 devido a uma overdose, e Chris Cornel acaba de voltar com Soungarden após ter sido o vocalista da banda Audioslave e ter tido também seu projeto solo.
Como farei de costume em postagens sobre música, agora é a vez de fazer boas indicações aos interessados.
  • Nirvana - “Smells Like Teen Spirit”, “In Bloom”, “Heart-Shaped Box”, “Lithium” e “All Apologies”;
  • Pearl Jam – “Black”, “Alive”, “Even Flow”, “Jeremy” e “Do the Evolution”;
  •  Alice In Chains – “Man In The Box”, “Them Bones” e “Rooster”;
  • Soungarden – “Black Hole Sun”, “My Wave” e “Spoonman”.

E para finalizar, obviamente, uma amostra:
Pearl Jam - Do The Evolution (legendado)
(prestem atenção na letra!)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

É proibido ter filhos!

Então, era justamente o que nos faltava, entre tantos problemas já existentes, entre desastres naturais e “kit-gays” nas escolas públicas, eis que surge um projeto de lei que “proíbe” ter filhos, sem consentimento e autorização do governo.
Considerando, entre muitos outros fatores, que cada nova vida é uma despesa em potencial para o Estado, o congresso brasileiro estuda a aprovação do projeto de lei PLC 25/11, que propõe que através de psicólogos e psiquiatras muito bem qualificados o governo “avalie” a mente de qualquer casal brasileiro que pretenda, ou até dos que já consumiram o ato de engravidar. Tal avaliação teria como objetivo medir a capacidade dos possíveis pais de proporcionar aos futuros filhos um tratamento e um ambiente adequado a crianças, livres de traumas.
O senador capixaba Severino Vega, criador do projeto de lei defende que:
“Não necessariamente um indivíduo inteligente, financeiramente estável ou bem relacionado será um bom pai, e criará um jovem fisicamente ou mentalmente saudável. É necessário haver um estudo, uma avaliação de se o pai, ou mãe é capaz.”
            Vega acredita que em longo prazo a mentalidade de jovens mentalmente mais saudáveis resultaria significativamente na melhoria da educação e da cultura nacional, e que definitivamente os índices de violência, em todos os aspectos (doméstica, vandalismo, bullying), diminuiriam drasticamente. Mas que acima de qualquer melhoria, seria o fim do sofrimento de muitos jovens brasileiros.
“Segundo os especialistas, a depressão comumente aparece pela primeira vez em pessoas com idade entre 15 e 19 anos. De fato, observou-se nas duas últimas décadas um aumento muito grande do número de casos de depressão com início na adolescência. As pesquisas também mostraram que cerca de 20% dos estudantes do 2o grau sentem-se profundamente infelizes ou têm algum tipo de problema psiquiátrico.”

            Obviamente o fato da “doença do século XXI” estar cada vez mais afetando os jovens não é apenas culpa de seus pais, é culpa do modo de vida predominante em nosso mundo atual. Mas com tal lei vigente, talvez os pais, uma vez se vendo privados da poderem gerar sua prole, parem e pensem, e também talvez, seus filhos possam colher os frutos futuramente.

O “projeto de lei” acima citado, e seu respectivo criador, são ambos fictícios.


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O segundo parágrafo em cinza faz parte de um texto sobre depressão entre jovens, vale a pena ser lido na íntegra e foi retirado deste site:

"A melhor maneira de ter bons filhos é fazê-los felizes."
Oscar Wilde

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Cultura para aculturados

                Certo dia, encontrei-me em uma das maiores discussões de minha vida, e não, não foi sobre política, religião ou futebol. “Bota a mão na cabeça que vai começar...” Soa Familiar? Infelizmente temo que sim, era disso que se tratava tal discussão: Música. Mas, discutir música... Em que fim teria qualquer debate sobre uma das, se não a mais bela expressão artística que o homem foi capaz de criar, (deixo logo claro que o discutir em questão não está em seu contexto pacífico). Digo, há o que se discutir em se tratando disso? Não é uma simples questão de gosto? E não dizem por aí que gosto é que nem... impressão digital, e cada um tem o seu? Bom, era justamente sobre isso que discutíamos: Música é questão de gosto?
                Em minha opinião: Não, música não é questão de gosto, pelo menos não de todo. Obviamente todo mundo prefere e desgosta de algum artista, ou até de um gênero inteiro. Então por que eu penso que música não é questão de gosto? Simples, da mesma forma que poker não se joga apenas com habilidade, pois há o fator sorte inserido em tal jogo mental. O que o poker tem a ver com o assunto? Quero colocar que, embora cada um tenha completa liberdade de gostar e desgostar de Beethoven, por exemplo, aquele que não gosta, precisa ter a mínima noção de assumir a qualidade deste, que em minha opinião foi o autor da mais bela obra da música clássica, sua nona sinfonia.
                Música não é apenas questão de gosto, porque às vezes isto que se chama de gosto pode apenas ser um reflexo involuntário, impensado, pode ser fruto da alienação, da lavagem cerebral. Já li que basta um indivíduo ter a mente fraca, para que se possam ser inseridos dentro da mesma, gostos, opiniões, credos e até tendências sexuais. Conseqüentemente, meu raciocínio leva a uma conclusão, existe música ruim, e mesmo que esta possua milhões de fãs, são milhões de fãs ignorantes. E eis que surge um dos pontos altos da discussão em que outrora me encontrei; a quem cabe taxar, julgar ou classificar a música? Os intelectuais? Aqueles críticos chatíssimos? O Faustão e o Gugu?! Em minha humilde opinião, se você tem noção, se você em algum momento da sua vida encontrou o famoso senso comum e não o deixou escapar, você já é capaz de dizer o que é bom e o que é ruim.
                Simples, eu acredito que existe música ruim. Tal música se vende em razão, principalmente, da ignorância de muitos. Não dá para citar a “nata” da falta de qualidade musical, senão essa postagem espantaria os leitores de tão grande, posso comentar no máximo que muitos "ídolos" constariam nessa imensa lista. Meu ponto é que existe “cultura para aculturados”, e esta é obra dos oportunistas de prontidão para lucrar em cima da ignorância geral, pois querendo ou não, ser músico é ser profissional, e já não se fazem profissionais como antigamente.

"O que serve indiferentemente para todo mundo não serve para ninguém."
Liziane Biachi 


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Você já desistiu? Já desistiu de algo que você queria muito, muito mesmo, mas nem tanto? Como por exemplo: De tanto ver filmes policiais quando criança, você queria ser policial, para ajudar todo mundo e prender os malvados. Ou algo do tipo. E desistiu ao ter noção do que é ser um policial na vida real? Bom, eu já. Já desisti de tentar ser tanta coisa nessa vida; policial, político, artista, magro... Enfim, este não é o assunto que quero abordar, e sim de algo diretamente ligado a tal ato de não mais possuir a pretensão de ser ou ter algo, diante dos mais variados motivos, ou pela preguiça mesmo.
            Nós, humanos, existimos há alguns milhares de anos, certo? E se hoje há aproximadamente seis bilhões de nossa espécie, considerando – supondo – o ritmo em que a população cresceu nestes últimos séculos podemos dizer existiram aproximadamente uns oito bilhões? Direto ao ponto, desde os tempos dos quais se tem registros, qual o percentual, do total de nossa população que existiu e ainda existe, refere àqueles poucos que se destacaram pela intenção de ajudar os necessitados? Reformulando, qual seria a porcentagem dos que fizeram algo em razão de ajudar os muitos pobres, doentes, famintos, desabrigados e demais desprovidos? Atrevo-me a dizer que não seria algo próximo de 0, 0000001%, facilmente seria menos, é só lançar essa quantidade aleatória de zeros que coloquei aí na quantia supra especulada. (Maldito, pare de enrolar, qual o seu ponto?!) Realmente, depois de muito “enrolar”, devo, esclarecer, se há, e qual há de ser, meu ponto com esse texto.
            Meu ponto é simples, e juro que irei relacionar o primeiro parágrafo ao segundo. O que têm em comum, Guevara, Gandhi e Lula? – desculpem-me tal comparação – Eles não desistiram daquilo a que almejavam. E o que isso prova? Que eles são melhores que aqueles que desistem, nós, meros mortais, medíocres? Ou que nós que somos piores que eles, ícones, deuses? Opa, não dá na mesma, eles serem melhores e nós sermos piores? É assim que funciona? Você é ou não é? Quer dizer que eu tenho que ser bom? Se eu “tenho” que ser, já não é tão bom é? Ah, se todos fossem atrás de seus sonhos, suas convicções ninguém iria se destacar, e se for para eu não ser notado, prefiro não fazer nada, é menos cansativo. E a quem é atribuído tal poder de dizer que alguém é melhor e alguém é pior? Aaah, que discussão besta!  Será?
            Já vimos na TV, e em centenas de filmes, exemplos de vida, exemplos de dedicação, pessoas reais e personagens que através de dedicação e perseverança alcançaram o inalcançável. Falo por mim mesmo – até porque não haveria de falar por mais alguém – quando digo que em “quase todas” estas histórias e estórias, os vitoriosos não tinham uma alternativa, “quase sempre” é a única opção, esta de ater-se ao objetivo e nunca desistir. E o que é que falta aos demais, nós, meros mortais? Será que é suficiente responder que as pessoas que desistem, apenas o fazem por preguiça, por terem uma alternativa, mesmo que medíocre, por nos conformarmos que de fato mais vale um pássaro na mão do que dois voando?
            Eu curso Direito na Faculdade Marista do Recife, estou indo agora ao quinto período, mas quando eu ainda sonhava em entrar na faculdade, ou ainda no começo do curso, quando eu ainda estudava “naquela” Unicap (Universidade Católica de Pernambuco), eu sonhava em fazer justiça. Hahaha, pergunte a qualquer estudante, bacharel, advogado, promotor, juiz, delegado, desembargador, etc. Pergunte a qualquer desses, se a justiça em nosso país funciona da forma que deveria, após a negativa, pergunte quando ele tomou conhecimento de tal fato, e ele dirá o que direi agora: logo no primeiro semestre da faculdade. Então, porque prosseguimos no curso? Pretendíamos nós, meros cordeiros, devorar os leões, dar um golpe de estado, domesticar aqueles animais que legislam e julgam equivocada e estupidamente, salvar a pátria e promover justiça para todos?! Basta assistir a nossa maravilhosa e divertida televisão brasileira que terás a resposta.
Não bolei nenhuma conclusão genial para este texto repleto de conclusões pessimistas, nenhuma virada de mesa que conforte quem quer leia este texto – ou a mim mesmo – nem nenhuma fórmula secreta para ser feliz e conformado ao mesmo tempo, mas se alguém souber me avise! É, a vida não é um conto de fadas, pense bem, se todo mundo fosse bonito, na verdade ninguém o seria, pois o inimigo do bom é o melhor, e sem segundo não há primeiro. Eu desisto de muitas coisas todos os dias, e não me diria o único com tal atitude, embora eu não consiga encontrar a resposta do mistério que diferem as pessoas “normais” daquelas que alcançam seus sonhos, diria que precisamos destes poucos e determinados indivíduos, nem que seja para nos inspirar, para nos dar esperança, para nos fazer perceber, que se é difícil salvar o mundo, podemos pelo menos salvar uma vida. E salvar uma vida já é muito!

"Existem dois tipos: Os que pensam, e os que acreditam"
Autor desconhecido

Em primeiro lugar

Eu nunca tive um blog, não sei como isso funciona. Não sei como arranjo que as pessoas leiam ele. Nem faço idéia se eu tenho realmente algo a falar que valha a pena ser lido. Mas, o ócio não é uma maravilha?! :D